
Sinto um enorme vazio, um enorme buraco ao qual não se consegue encontrar o seu fim. Cada vez que me sento, que penso em tudo aquilo que já vives-te, que já vivi, que já passas-te e ultrapassas-te. Cada vez que relembro o teu percurso, que leio cada página da Tua biografia, cada vez que vivo, de novo, tudo aquilo que me deste faz-me, automaticamente, querer recuar esse tempo. Gostava de mostrar-te tudo, gostava de ensinar-te que este amor por ti não é banal, não é como todos aqueles que já viste, que já te mostraram. Queria, tão só, ter a oportunidade de te poder mostrar o quanto de admiro, o quanto te apoio, o quanto te defendo, com unhas e dentes; o quanto me orgulho por tudo o que já alcanças-te, por tudo aquilo que fazes, por tudo aquilo que ainda vais fazer. O teu nome enche-me o coração, abre-me a alma e mantém-te vivo em mim. É como se fosses a minha marca privada, como se só pudesse descansar depois de pensar em ti, como se só tivesse a capacidade de sorrir apenas por ver o teu sorriso, por ouvir mais um feito teu, por saber que, afinal, estás bem entregue. Sei que, provavelmente, terei sido dura, dura o suficiente por me arrepender amargamente disso, neste momento… por querer ter o dom de reverter as acções, de poder fazer melhor. Mas neste momento estás tão inalcançável, tão longe de mim, tão impossível… magoa ainda mais, dói ainda mais saber que estás tão perto e no minuto a seguir tão longe. Dói, ainda mais, saber que tive diversas oportunidades (todas elas falhadas), dói, ainda mais, saber que há quem tenha a oportunidade e, simplesmente, a deite a perder… Era capaz de te entregar o mundo, de escrever o Teu nome nas minhas paredes, de alto a baixo, de decorar cada pormenor do meu quarto apenas com as tuas inicias. «Sonhar alto», dizem uns… outros ainda dizem que a queda será maior, mas sabes o que me reconforta nisto tudo? É que eu sei que estás bem, eu sei que estás bem entregue e eu sei que lá em cima está alguém a olhar por Ti! Gostava, sim gostava, de um dia poder tocar-te, sorrir contigo para a mesma máquina fotográfica e ter a oportunidade de ver-te a curvar a caneta, perante os meus olhos, a realizares aquelas curvas que só os teus dedos, juntamente com a mão, são capazes de fazer. Poder ouvir a melodia da tua voz, reparar no sinal do teu rosto e no mais pequeno pormenor desse olhar castanho e de cada caracol dos teus cabelos. És um Mundo, mesmo que seja inalcançável, és a Maior parte de mim.
CR.
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